PERGUNTA:
Amigo Biblista Lázaro, diante das recentes descobertas astronómicas de planetas fora do Sistema Solar, alguns dos quais se encontram em regiões que poderiam permitir a existência de água líquida, e considerando as afirmações científicas e a cultura popular sobre possíveis formas de vida extraterrestre, será que a Bíblia permite acreditar que Deus tenha criado seres vivos noutros planetas? Ou as Escrituras apresentam a Terra como o único lugar onde Deus criou vida? Como deve um cristão interpretar biblicamente a possibilidade de existir vida para além da Terra?
Meu colega e irmão em Cristo, esta tua pergunta é fascinante porque nos coloca diante de uma fronteira em que a ciência observa aquilo que existe no universo, enquanto a Bíblia nos revela aquilo que Deus quis comunicar acerca da Sua criação e do Seu plano de salvação. Por isso, precisamos começar com uma regra fundamental que eu tanto prezo: não devemos obrigar a Bíblia a responder aquilo que ela não pretende responder, nem transformar uma possibilidade científica numa certeza teológica.
A primeira coisa que precisamos afirmar é que a Bíblia não diz explicitamente que não existe vida noutros planetas. Também não afirma explicitamente que existem extraterrestres. Portanto, qualquer pessoa que diga categoricamente “a Bíblia prova que existem seres vivos noutros planetas” ou “a Bíblia prova que a Terra é o único planeta com vida” está indo além daquilo que o texto bíblico permite afirmar.
Amigo, a Escritura começa com uma declaração extraordinariamente ampla: “No princípio, criou Deus os céus e a terra.” (Génesis 1:1). Observe que a Bíblia não começa simplesmente dizendo: “No princípio, criou Deus a Terra”. Ela começa com “os céus e a terra”. A criação bíblica é muito maior do que o nosso planeta. Observa que Salmos 19:1 declara: “Os céus manifestam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos.” E Salmos 8:3, 4 diz: “Quando vejo os teus céus, obra dos teus dedos, a lua e as estrelas que preparaste; que é o homem mortal para que te lembres dele?” Quanto mais a humanidade observa o universo, mais extraordinária se torna essa declaração. O universo contém uma quantidade gigantesca de estrelas, galáxias e sistemas planetários. A existência de outros mundos, portanto, não representa nenhuma ameaça à fé bíblica. Na verdade, quanto mais descobrimos sobre a grandeza do cosmos, mais percebemos a força das palavras do salmista: “Os céus manifestam a glória de Deus.” (Depois leia também: Como provar a veracidade da Bíblia?).
Mas aqui aparece a questão decisiva: se Deus criou tantos mundos, será que criou vida em alguns deles? A resposta honesta biblicamente é: não sabemos. E isso não é uma fraqueza da Bíblia, é simplesmente reconhecer os limites da revelação. A Bíblia não foi escrita para fornecer um catálogo de todos os planetas habitados ou desabitados do universo. Seu objectivo principal é revelar quem é Deus, quem somos nós, o que aconteceu com a humanidade, como entrou o pecado no mundo, quem é Jesus Cristo e como Deus está realizando o Seu plano de redenção. João 20:31 explica o propósito dos escritos apostólicos: “Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome.”
Portanto, meu amigo e colega, a Bíblia não pretende responder todas as curiosidades científicas que poderíamos ter. E isso precisa ser dito com muita firmeza: possibilidade científica não é evidência de existência. Encontrar um planeta na chamada zona habitável não significa encontrar vida, encontrar água não significa encontrar organismos, encontrar condições potencialmente favoráveis à vida não significa encontrar vida, e encontrar vida microscópica, se algum dia isso acontecer, não significaria automaticamente encontrar seres inteligentes semelhantes aos seres humanos. Precisamos separar cuidadosamente essas coisas.
Agora, amigo, importa ainda fazer uma outra pergunta ainda mais interessante: a Bíblia apresenta a Terra como o centro da actividade de Deus? A resposta claramente é SIM, e isso no que diz respeito à história humana e à redenção. Génesis 1 apresenta Deus criando a Terra e preparando-a para a vida. Em seguida, cria plantas, animais e finalmente o ser humano. Génesis 2 concentra-se especialmente na formação de Adão e Eva. A narrativa bíblica acompanha a humanidade a partir daí. E existe uma declaração muito importante em Actos 17:24-26: “O Deus que fez o mundo e tudo que nele há, sendo Senhor do céu e da terra (...) de um só sangue fez toda a geração dos homens para habitar sobre toda a face da terra.”
A Bíblia apresenta a humanidade como uma criação particular de Deus dentro da ordem criada. Além disso, o homem recebe uma posição especial: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança.” (Génesis 1:26). Isso significa que, dentro da revelação bíblica, a humanidade possui uma condição singular. Mas atenção: singularidade humana não significa necessariamente que Deus não possa ter criado outras formas de vida. Esse é um salto lógico que a Bíblia não faz. Deus é infinitamente maior do que aquilo que conhecemos. Salmos 147:4 afirma: “Conta o número das estrelas, chamando-as a todas pelos seus nomes.” E Isaías 40:26 declara: “Levantai ao alto os vossos olhos e vede quem criou estas coisas.” Portanto, o universo é apresentado como obra de um Deus cuja capacidade criadora ultrapassa imensamente a nossa compreensão. (Depois Clique aqui e adquira o eBook “Volta Para Casa: A Jornada do Filho Pródigo e a Profunda Mensagem de Perdão”, da autoria de Biblista Emanuel Lázaro).
Agora precisamos enfrentar uma questão teológica muito importante: se existirem seres vivos noutros mundos, isso contradiz Génesis? Não necessariamente. Génesis 1 afirma que Deus criou “os seres viventes” na Terra dentro da sequência da criação terrestre. O texto descreve aquilo que Deus criou e colocou na Terra, mas não está necessariamente oferecendo um inventário de cada forma de vida que Deus poderia ter criado em todo o universo. Imagine alguém escrever uma história sobre a criação de uma determinada cidade. O facto de o autor não mencionar outra cidade não significa necessariamente que essa outra cidade não exista. O silêncio bíblico não pode ser transformado automaticamente numa negação.
Contudo, existe uma questão muito mais profunda: se existirem seres inteligentes noutros planetas, eles também pecaram? Precisariam de salvação? Cristo morreu por eles? Aqui entramos numa área onde devemos ser extremamente cuidadosos. A Bíblia não nos dá essa informação. Paulo declara em Romanos 5:12: “Pelo que, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, por isso que todos pecaram.” O contexto é claramente humano e terrestre. A Bíblia apresenta Adão como cabeça da humanidade e Cristo como o segundo Adão: “Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo.” (1 Coríntios 15:22). E Paulo desenvolve esse paralelo em 1 Coríntios 15:45-47.
Portanto, se um dia a ciência descobrir uma civilização extraterrestre inteligente, teremos uma questão teológica verdadeiramente extraordinária para estudar. Mas não devemos antecipar uma resposta que Deus não nos deu. Poderíamos perguntar: “Cristo morreu por eles?” A Bíblia não responde directamente; poderíamos perguntar: “Eles possuem pecado?” A Bíblia não responde; Poderíamos perguntar: “Foram criados à imagem de Deus?” A Bíblia não diz; Poderíamos perguntar: “Precisam de redenção?” Também não sabemos. A resposta cristã intelectualmente honesta deve ser: “Não sabemos, porque Deus não revelou.” E isso é muito melhor do que inventar doutrina.
Existe, porém, um argumento frequentemente apresentado: Colossenses 1:16 diz: “Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades; tudo foi criado por ele e para ele.” Esse texto é extraordinário! Cristo é apresentado como agente da criação de “todas as coisas”, mas devemos perceber que Paulo está especialmente combatendo ideias que diminuíam a supremacia de Cristo, mostrando que tudo aquilo que existe ("visível e invisível"), está subordinado a Ele. Isso inclui certamente os seres espirituais. Não é, entretanto, uma declaração específica sobre habitantes de outros planetas. Portanto, Colossenses 1 não pode ser utilizado honestamente como “prova de extraterrestres”. Mas ele nos dá algo muito maior: Se existirem mundos que ainda desconhecemos, eles também pertencem ao domínio do Criador.
Nenhum planeta pode ameaçar a soberania de Deus, nenhuma descoberta astronómica pode diminuir Cristo, e nenhuma criatura que eventualmente exista no universo poderia ser independente do seu Criador. Hebreus 1:3 apresenta Cristo como aquele por quem Deus “sustenta todas as coisas pela palavra do seu poder.” Isso significa que a descoberta de novos mundos não diminui Deus; pelo contrário, amplia a nossa percepção daquilo que Ele fez.
Há ainda uma questão que frequentemente aparece: “Mas se Deus criou seres extraterrestres, por que a Bíblia não fala deles?” A resposta é bastante óbvia: Pela mesma razão que a Bíblia não fala detalhadamente de milhões de outras coisas que podem existir no universo. A Bíblia não é uma enciclopédia cósmica, ela é a revelação redentora de Deus para a humanidade; ela não nos conta quantas espécies de animais existem em todos os oceanos, quantos mundos existem na galáxia, nem fornece uma lista de todas as criaturas que Deus poderia ter criado. O silêncio sobre determinado assunto não significa necessariamente negação. (Depois leia também: Sonhos eróticos derivam de processos biológicos ou são influências demoníacas?)
Meu amigo em Cristo, aproveito para alertar que é importante também evitar outro extremo: interpretar certos textos bíblicos sobre anjos, querubins, serafins, principados e potestades como se fossem necessariamente extraterrestres no sentido em que estamos reflectindo aqui. A Bíblia claramente apresenta seres espirituais (Hebreus 1:14; Isaías 6:1-7; Ezequiel 1; Apocalipse 4), mas ser espiritual não significa ser extraterrestre no sentido literal da palavra. Um extraterrestre, por definição, seria uma forma de vida originária de outro mundo físico. Um anjo é uma criatura espiritual criada por Deus. São categorias diferentes.
Também precisamos tomar cuidado com uma interpretação popular de Génesis 6:1-4, segundo a qual os “filhos de Deus” seriam seres extraterrestres. Essa interpretação não possui fundamento suficiente para ser apresentada como certeza bíblica. Existem diferentes interpretações sobre a identidade dos “filhos de Deus”, e o texto não fala de planetas, naves espaciais ou civilizações extraterrestres. Aliás, as principais correntes de interpretação de Génesis 6 alegam que os "filhos de Deus" aqui mencionados podiam ser os descendentes de Sete, ou então anjos caídos e, outros ainda, fundamentam que podiam ser reis ou governantes. Portanto, não devemos usar Génesis 6 como prova de extraterrestres.
A outra pergunta que deves estar se fazendo agora talvez seja: E quanto à possibilidade de vida microscópica? Aqui, meu bom amigo, a questão é ainda mais aberta. Se amanhã uma sonda encontrar evidência inequívoca de microrganismos em Marte, numa lua de Júpiter ou num planeta distante, isso não destruiria o cristianismo. Sabes por quê? Porque a Bíblia nunca disse: “Deus criou vida somente na Terra e em nenhum outro lugar do universo.” Essa frase simplesmente não está na Escritura. Então, o cristão poderia olhar para essa descoberta e dizer: “Então descobrimos mais uma coisa que Deus criou.” Salmos 24:1 continua verdadeiro: “Do Senhor é a terra e a sua plenitude, o mundo e aqueles que nele habitam.” E Salmos 95:5: “Seu é o mar, pois ele o fez, e as suas mãos formaram a terra seca.” A criação pertence a Deus. Aleluia!
Agora, existe uma questão ainda mais profunda: se encontrarmos vida extraterrestre, isso provaria que a Bíblia é falsa? A resposta é um claro NÃO, pois seria necessário demonstrar qual afirmação bíblica estaria sendo contradita. Se alguém disser: “A Bíblia afirma que somente existe vida na Terra”, peça que mostre o versículo. Não existe um texto explícito com essa afirmação. Por isso, não devemos defender uma posição simplesmente porque ela se tornou tradicional entre determinados cristãos. A nossa fé deve estar fundamentada na Escritura; e aqui está uma regra preciosa da hermenêutica (interpretação) bíblica: Onde a Bíblia fala claramente, devemos falar claramente; onde a Bíblia permanece silenciosa, devemos ter humildade para permanecer em silêncio. Deuteronómio 29:29 estabelece um princípio extraordinário: “As coisas encobertas são para o Senhor, nosso Deus, porém as reveladas são para nós e para nossos filhos, para sempre, para cumprirmos todas as palavras desta lei.”
Meus bom amigo, existem coisas que Deus revelou, existem coisas que Deus não revelou, e a sabedoria está em não transformar o desconhecido em doutrina. Mas há algo que a Bíblia afirma com absoluta clareza: qualquer que seja a dimensão da criação, Cristo está acima dela. João 1:3 diz: “Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez.” Colossenses 1:17: “E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele.” Isso significa que, se amanhã descobrirmos uma forma de vida num planeta a 337, mil ou milhões de anos-luz daqui, o cristão não precisa entrar em crise; ele pode simplesmente contemplar aquilo e dizer: “Então o Deus que eu adorava era ainda maior do que eu imaginava.” Talvez essa seja a verdadeira lição espiritual desta tua questão, meu amigo. (Depois Clique aqui e baixa GRÁTIS o eBook: "Família Cristã e as Novas Tecnologias" da autoria do Biblista Emanuel Lázaro).
Durante séculos, o homem olhou para o céu a olho nu, depois vieram os telescópios, depois os grandes observatórios, depois sondas espaciais, depois o TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite, Satélite de Rastreio de Exoplanetas em Trânsito) e outros instrumentos capazes de identificar mundos que jamais poderíamos enxergar directamente. E cada descoberta nos mostra que o universo é maior, mais complexo e mais extraordinário do que imaginávamos. Mas a grandeza do universo não torna Deus menor, torna a nossa visão de Deus maior. Salmos 8:3, 4 continua sendo uma das melhores respostas: “Quando vejo os teus céus, obra dos teus dedos, a lua e as estrelas que preparaste; que é o homem mortal para que te lembres dele?” Perceba a reacção do salmista, ele contempla o cosmos e não conclui: “Logo, Deus não existe.” Ele conclui: “Quão pequeno sou eu diante da grandeza de Deus!”
Essa deveria ser também a reacção cristã diante da astronomia. A ciência pode descobrir outros mundos, mas somente Deus pode responder definitivamente à pergunta sobre o propósito último da existência; a ciência pode investigar como determinadas condições permitem a vida, mas a Bíblia revela quem é o Autor da vida; a ciência pode procurar vida fora da Terra, mas a Bíblia nos chama a procurar o Deus que criou a Terra, os céus e tudo quanto neles há. Aleluia!
Portanto, meu colega e amigo, a posição biblicamente mais equilibrada é esta: a Bíblia não confirma nem nega explicitamente a existência de vida extraterrestre. Ela afirma que Deus criou os céus e a terra, que toda a criação pertence a Ele e que todas as coisas foram criadas por meio de Cristo e para Cristo. A descoberta de vida fora da Terra, caso aconteça, não seria automaticamente uma ameaça à fé cristã. Seria, antes, uma nova descoberta acerca da criação de Deus. Entretanto, enquanto não houver evidência científica concreta de vida extraterrestre, também não devemos transformar a possibilidade em certeza. E existe uma última advertência que considero essencial: Não precisamos de extraterrestres para tornar o universo extraordinário, já temos estrelas suficientes para nos fazer admirar o Criador, já temos uma criação que nos ultrapassa, já temos um universo cuja vastidão desafia a nossa imaginação, e já temos uma revelação extraordinária: “No princípio, criou Deus os céus e a terra.” Aleluia! Louvado seja o SENHOR!
A pergunta mais importante, portanto, talvez não seja: “Existem seres vivos em outros planetas?” Mas: “O que estamos fazendo com a vida que Deus já nos deu neste planeta?” Porque podemos passar a vida inteira procurando vida em Marte, em exoplanetas e nas profundezas do cosmos, enquanto ignoramos aquele que Jesus chamou de “o caminho, e a verdade, e a vida” (João 14:6). E é precisamente aqui que a ciência termina a sua competência e a revelação começa a falar ao coração. O universo pode ser imenso, mas o propósito da Bíblia é conduzir-nos ao Criador desse universo. (Depois Clique aqui e adquira o eBook “Volta Para Casa: A Jornada do Filho Pródigo e a Profunda Mensagem de Perdão”, da autoria de Biblista Emanuel Lázaro).
VAMOS ORAR?
Senhor Deus, Deus nos nossos ancestrais, quando contemplamos a imensidão dos céus, reconhecemos como somos pequenos diante da grandeza da Tua criação. Dá-nos sabedoria para não confundirmos hipóteses humanas com verdades reveladas, nem temermos as descobertas da ciência. Se existirem mundos e formas de vida que ainda desconhecemos, que cada descoberta nos conduza ainda mais à admiração pelo Teu poder. E, acima de tudo, ajuda-nos a não procurar tão longe aquilo que a Tua Palavra já nos revelou: que Tu és o Criador de todas as coisas e que em Jesus Cristo encontramos a verdadeira vida. Em nome de Cristo. Amém!
ANTES A MORTE EM BATALHA DE CRISTO, DO QUE NA LAMA COMO COVARDE MORRER (1 Pedro 3:17). ATÉ AQUI, PALAVRA DO SENHOR!
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