23 julho 2025

O DÍZIMO DEVE SER SEMPRE EM DINHEIRO?

PERGUNTA:

Irmão Biblista Lázaro, afinal, quando a Bíblia fala sobre o dízimo, está se referindo apenas ao dinheiro? Será que existem outras formas de entregar o dízimo além do valor monetário? Qual é a essência do dízimo como objecto, e há diferença entre dízimos e ofertas? Pode uma igreja decidir o tipo de dízimo que aceita, seja ele dinheiro ou bens?

Amada irmã em Cristo, saudações. O dízimo, conforme apresentado nas Escrituras, é um princípio de separação da décima parte daquilo que se recebe ou se possui, como reconhecimento da soberania de Deus sobre todas as coisas. O termo "dízimo" vem do hebraico ma‘aser, que literalmente significa "a décima parte". No contexto bíblico, o dízimo nem sempre foi financeiro, e, na verdade, originalmente estava mais ligado aos produtos da terra e dos rebanhos.

No Antigo Testamento, vemos o primeiro registro do dízimo com Abraão, que, após vencer a batalha para resgatar Loth, deu o dízimo de tudo a Melquisedeque (Gênesis 14:20). O texto não detalha se era em dinheiro, gado ou bens tomados na guerra, mas indica uma entrega espontânea e honrosa. Mais tarde, Jacob também promete dar o dízimo a Deus de tudo quanto recebesse (Gênesis 28:22), em um acto voluntário de gratidão e compromisso. (Leia também: Ainda devemos pagar dízimo hoje? Como o dízimo dado à Igreja é considerado uma oferta a Deus?)

A legislação mosaica define de maneira mais clara o conteúdo dos dízimos. Em Levítico 27:30-32, Deus afirma que o dízimo é de tudo o que procede da terra: “Assim, todos os dízimos da terra, tanto dos cereais do campo como dos frutos das árvores, são do Senhor; santos são ao Senhor... E todo dízimo do gado e do rebanho, de tudo o que passar debaixo da vara, o dízimo será santo ao Senhor.”

Neste contexto, nota-se que o dízimo era pago com produtos agrícolas e animais, pois esta era a base da economia israelita naqueles dias. O dízimo sustentava os levitas, que não tinham herança entre as tribos (Números 18:21, Deuteronômio 14:28, 29). Em algumas ocasiões, o dízimo podia ser convertido em dinheiro, mas com acréscimo de 20%, como diz Levítico 27:31: “E, se alguém quiser remir alguma parte do seu dízimo, acrescentará a sua quinta parte sobre ela.” Isso mostra que o dinheiro não era o padrão inicial, mas era permitido como substituto com penalidade proporcional. (Leia também: As vestes litúrgicas dos líderes religiosos têm base bíblica ou são exclusivas da igreja Católica?)

No Novo Testamento, o princípio do dízimo é mencionado, mas com menos ênfase legalista. Em Mateus 23:23, Jesus repreende os fariseus por darem o dízimo de pequenas coisas (como hortelã, endro e cominho), mas negligenciarem o mais importante da lei: justiça, misericórdia e fé. Isso não anula o dízimo, mas reafirma que ele não substitui um coração obediente e justo.

Já as ofertas são distintas dos dízimos. As ofertas eram voluntárias, de acordo com o que cada um propunha no coração (Êxodo 25:2; Deuteronômio 16:10, 2 Coríntios 9:7). Enquanto o dízimo era a décima parte e representava um dever consagrado, a oferta expressava devoção, gratidão e generosidade. Ambas formas fazem parte da adoração bíblica, mas com propósitos e naturezas diferentes.

Nos dias de hoje, como a economia mudou, a aplicação do dízimo como dinheiro é aceitável, e em muitos contextos é a maneira mais prática de apoiar a obra do Senhor. Contudo, biblicamente, o dízimo não está limitado ao dinheiro. Tudo o que compõe a renda ou os bens de uma pessoa pode ser base para o cálculo do dízimo: salários, colheitas, lucros comerciais, heranças, etc.

Sobre a liberdade das igrejas, embora cada igreja tenha autonomia para organizar seu funcionamento, nenhuma igreja tem autoridade para mudar a essência bíblica do dízimo. O que ela pode fazer é adaptar sua recepção conforme a realidade cultural e econômica local. Por exemplo, em regiões agrícolas ou rurais, é aceitável que o dízimo venha em forma de colheitas, animais, serviços ou produtos, como se fazia nos tempos bíblicos. (Leia também: Meditação: A determinação no Reino de Deus - reflexão sobre Mateus 11:12).

O mais importante é entender que o dízimo é um princípio espiritual de consagração, gratidão e fidelidade, e não apenas uma obrigação financeira. Como Paulo ensina em 1 Coríntios 16:2, a entrega deve ser proporcional ao que se recebe: “No primeiro dia da semana, cada um de vós ponha de parte o que puder ajuntar, conforme a sua prosperidade”.

Portanto, amada irmã, o dízimo não precisa ser exclusivamente em dinheiro. Ele deve refletir a décima parte da bênção recebida, seja ela qual for. Ofertas são adicionais e voluntárias. E as igrejas, embora possam adaptar a forma de recebimento, não devem perder de vista o ensino e o exemplo bíblico.

VAMOS ORAR?

Senhor nosso Deus, Pai de toda provisão, Te agradecemos porque tudo o que temos provém de Ti. Ensina-nos a sermos fiéis no pouco e no muito, com corações gratos e comprometidos com a Tua obra. Dá-nos sabedoria para compreender o valor espiritual do dízimo e das ofertas, e coragem para entregarmos não apenas nossos bens, mas a nós mesmos em obediência ao Teu querer. Que tudo o que entregarmos seja sempre para glorificar o Teu nome. Em nome de Jesus, amém!

ANTES A MORTE EM BATALHA DE CRISTO, DO QUE NA LAMA COMO COVARDE MORRER (1 Pedro 3:17). ATÉ AQUI, PALAVRA DO SENHOR!

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E você, caro(a) leitor(a)? Já tinha refletido sobre a forma de entregar o dízimo? Comente abaixo: você acha que só dinheiro vale ou qualquer bênção pode ser consagrada a Deus?

2 comentários:

Anónimo disse...

Irmão professor boa tarde. agora percebi um pouco mais sobre o dízimo. obrigado

Biblista Emanuel Lázaro disse...

Muito bom, amado. Deus abençoe sempre. Continue seguindo na exploração da verdade do Oráculo do SENHOR.

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