PERGUNTA:
Mano Biblista, o meu irmão era um cristão dedicado, mas, após engravidar uma jovem da igreja antes do casamento, foi colocado sob disciplina. Mesmo assim, continuou a orar e a contribuir para a causa do Evangelho. Infelizmente, faleceu antes de casar-se, enquanto ainda estava disciplinado, e a igreja não realizou o acto fúnebre. Será que, por ter morrido nessas condições, o meu irmão foi ao inferno? O que a Bíblia diz sobre isso?
Saudações, minha irmã em Cristo. Antes de mais, receba os meus sinceros sentimentos de pezares; lamento imenso pela sua perda! Esta é uma questão que precisa ser tratada com verdade bíblica, equilíbrio teológico e, sobretudo, temor diante de Deus, porque estamos a falar de uma pessoa que morreu. Quando alguém está vivo, a Igreja pode exortar, corrigir, disciplinar, restringir funções e chamar ao arrependimento. Mas quando alguém morre, a Igreja já não possui autoridade para pronunciar o destino eterno daquela pessoa. O último tribunal não é o tribunal da igreja; é o tribunal de Deus. Paulo afirma: “Porque todos havemos de comparecer ante o tribunal de Cristo” (2 Coríntios 5:10). Portanto, a primeira coisa que precisamos estabelecer é esta: não temos base bíblica para dizer que o teu irmão foi para o inferno simplesmente porque morreu enquanto estava sob disciplina eclesiástica.
Também não temos base para afirmar automaticamente o contrário, como se pudéssemos garantir: “Ele está no céu porque continuava a orar e contribuía para a igreja.” A Bíblia não nos autoriza a transformar uma ou duas evidências exteriores numa sentença definitiva sobre o estado espiritual interior de uma pessoa no momento da morte. O que podemos fazer é examinar aquilo que a Escritura ensina sobre pecado, arrependimento, fé, disciplina, graça, perseverança e julgamento divino.
Primeiro, precisamos separar o pecado cometido da condição espiritual da pessoa. O facto de o teu irmão ter engravidado uma jovem antes do casamento constitui uma transgressão sexual e moral séria. A Bíblia não trata a imoralidade sexual como algo pequeno. Paulo ordena: “Fugi da prostituição” (1 Coríntios 6:18). Em 1 Tessalonicenses 4:3, diz: “Porque esta é a vontade de Deus, a vossa santificação: que vos abstenhais da prostituição.” Portanto, a Igreja não estava necessariamente errada ao tratar o acontecimento com seriedade. Uma comunidade cristã precisa manter padrões de santidade, especialmente quando alguém exerce influência espiritual.
Mas aqui surge uma distinção fundamental: pecar gravemente não é a mesma coisa que estar automaticamente condenado eternamente. Se fosse assim, praticamente não haveria esperança para nenhum pecador convertido. A Escritura apresenta homens que cometeram pecados gravíssimos e, posteriormente, experimentaram misericórdia, perdão e restauração. David adulterou e participou da morte de Urias (2 Samuel 11), mas posteriormente confessou: “Pequei contra o SENHOR” (2 Samuel 12:13). Pedro negou publicamente Jesus três vezes (Mateus 26:69-75), mas foi restaurado pelo Senhor em João 21. O próprio Paulo reconheceu a gravidade do seu passado, dizendo que antes era “blasfemo, e perseguidor, e opressor” (1 Timóteo 1:13), mas recebeu misericórdia. Isso não significa que devemos banalizar o pecado. Significa precisamente o contrário: o Evangelho é suficientemente sério para chamar pecado de pecado e suficientemente poderoso para oferecer perdão ao pecador arrependido. (Depois Clique aqui e adquira o eBook: Volta Para Casa: A Jornada do Filho Pródigo e a Profunda Mensagem de Perdão).
É aqui que precisamos compreender o que significa disciplina eclesiástica. A disciplina bíblica não foi instituída para a Igreja brincar de tribunal celestial. Ela possui uma finalidade espiritual. Jesus ensina em Mateus 18:15-17 o processo de confrontação e correção de alguém que pecou. Paulo, em 1 Coríntios 5, ordena uma medida disciplinar contra um homem envolvido em imoralidade sexual grave. Mas o objectivo não era simplesmente “livrar-se” daquele homem. A linguagem paulina é extremamente séria: “para que o espírito seja salvo no Dia do Senhor Jesus” (1 Coríntios 5:5). Observe a tensão extraordinária do texto: existe disciplina severa, mas existe também uma finalidade relacionada à salvação. Isso demonstra que disciplina e condenação eterna não são sinónimos.
Em 2 Coríntios 2:6-8, Paulo fala de alguém que havia recebido uma censura da comunidade e recomenda que, depois da correção, fosse perdoado e consolado, “para que o tal não seja de modo algum devorado de demasiada tristeza”. Isso demonstra que a disciplina cristã deve possuir também uma dimensão restauradora. A Igreja não disciplina para destruir uma pessoa, mas para confrontá-la com o pecado e ajudá-la a voltar ao caminho. Hebreus 12:6 declara: “Porque o Senhor corrige o que ama.” E o versículo 11 reconhece que a correção produz tristeza inicialmente, mas posteriormente pode produzir “um fruto pacífico de justiça”. Portanto, estar disciplinado não significa necessariamente estar abandonado por Deus. Às vezes, a disciplina é precisamente uma manifestação da misericórdia de Deus. (CLIQUE AQUI e apoie este ministério e ajuda esta palavra chegar mais longe).
Irmã, há outro elemento extremamente importante no caso que apresentaste: disseste que, mesmo disciplinado, o teu irmão continuava a orar e a contribuir para a causa do Evangelho. Isso, isoladamente, não prova a sua salvação. Uma pessoa pode realizar actividades religiosas sem possuir uma verdadeira vida espiritual. Jesus advertiu sobre pessoas que diriam “Senhor, Senhor” e, apesar disso, seriam rejeitadas (Mateus 7:21-23). Portanto, não devemos transformar oração, contribuição financeira ou participação religiosa em uma espécie de “certificado automático de salvação”. Mas também seria errado concluir que essas atitudes não significavam absolutamente nada. Se eram expressão de uma fé genuína, de humildade, arrependimento e desejo de permanecer próximo de Deus, podem constituir sinais exteriores de uma relação que continuava a existir entre ele e o Senhor. Deus não olha apenas para o acto exterior; Ele conhece a realidade interior.
Foi exactamente por isso que Samuel ouviu Deus dizer: “o homem vê o que está diante dos olhos, porém o SENHOR olha para o coração” (1 Samuel 16:7). Isso não significa que Deus ignora as obras. Significa que Deus conhece aquilo que nós não conseguimos conhecer completamente: a consciência, a intenção, a luta interior, o arrependimento verdadeiro, a fé e aquilo que se passava no coração da pessoa diante dEle. E aqui chegamos a uma questão ainda mais profunda: o teu irmão teve tempo para se arrepender? A Bíblia não nos fornece os detalhes do que aconteceu no interior dele. Não sabemos tudo aquilo que ele confessou a Deus. Não sabemos todas as conversas que teve com o Senhor. Não sabemos o grau de arrependimento existente na sua consciência. Não sabemos se, nos seus últimos momentos, houve uma entrega mais profunda a Cristo. E exactamente por isso, ninguém deveria ocupar o lugar de Deus para declarar categoricamente: “Ele está condenado.”
Lucas 23 apresenta um dos exemplos mais impressionantes da graça divina. O criminoso crucificado ao lado de Jesus reconheceu a sua culpa e voltou-se para Cristo: “Senhor, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino.” Jesus respondeu: “Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso” (Lucas 23:42-43). Aquele homem não teve oportunidade de reconstruir uma vida inteira, cumprir anos de disciplina, realizar grandes obras ou demonstrar publicamente uma longa caminhada de restauração. Ele lançou-se sobre a misericórdia de Cristo. Isso não deve ser usado para justificar uma vida de pecado deliberado. O ladrão não disse: “Vou continuar como estou e depois arrependo-me.” Pelo contrário, reconheceu a própria culpa e voltou-se para Jesus. A graça não é licença para pecar; é a esperança do pecador que se volta para Deus. (Depois leita também o Sermão: "A Paixão de Cristo: O Sofrimento que nos Trouxe Vida!").
É também necessário corrigir uma ideia que muitas vezes causa sofrimento às famílias: a condição administrativa ou disciplinar de uma pessoa na igreja não determina mecanicamente o estado da sua alma diante de Deus. Imagine duas pessoas. Uma está formalmente “em comunhão” com uma igreja, mas vive secretamente em rebelião contra Deus. Outra está formalmente disciplinada pela igreja, mas está arrependida, quebrantada, orando e buscando misericórdia. Quem conhece perfeitamente o coração das duas? Deus. Por isso, a igreja trabalha com aquilo que consegue observar e avaliar segundo princípios bíblicos. Deus julga “os segredos dos homens” (Romanos 2:16). A Igreja pode dizer: “De acordo com o que conhecemos, esta pessoa está sob disciplina.” Mas não pode transformar automaticamente essa declaração administrativa em: “Deus declarou esta pessoa condenada ao inferno.”
Há uma diferença entre comunhão eclesiástica e justificação diante de Deus. Uma pessoa pode perder temporariamente determinados privilégios, funções ou participação em determinadas actividades da igreja sem que isso signifique que deixou de pertencer a Cristo. Da mesma maneira, alguém pode ocupar um cargo religioso e, interiormente, estar longe de Deus. Jesus ensinou algo muito forte em Mateus 7:16: “Por seus frutos os conhecereis.” Portanto, a Igreja deve observar frutos. Mas o julgamento final pertence ao Senhor. Paulo é ainda mais explícito quando trata de julgamentos humanos. Em 1 Coríntios 4:5, diz: “Portanto, nada julgueis antes de tempo, até que o Senhor venha, o qual também trará à luz as coisas ocultas das trevas, e manifestará os desígnios dos corações.” Isto é extremamente relevante, existem coisas que uma igreja pode conhecer e existem outras que somente Deus conhece. O coração de uma pessoa no instante da morte pertence à esfera do conhecimento divino. (CLIQUE AQUI e apoie este ministério e ajuda esta palavra chegar mais longe).
Outro ponto que precisa ser profundamente esclarecido é a relação entre casamento e perdão. O facto de o teu irmão ter morrido antes de casar-se com a jovem que engravidou não significa, por si só, que morreu necessariamente em pecado imperdoado. O casamento poderia ter sido uma forma correcta de assumir responsabilidade, caso ambos fossem livres e houvesse condições para tal, mas o casamento não é um sacramento que apaga pecado. Se o simples facto de casar apagasse o pecado anterior, então o casamento seria uma espécie de mecanismo de salvação, e não é isso que o Evangelho ensina. O pecado é tratado diante de Deus através de arrependimento e fé, enquanto as consequências humanas devem ser enfrentadas com responsabilidade. O homem que pecou sexualmente precisa reconhecer o pecado, assumir responsabilidades, reparar o que puder ser reparado e buscar santidade. O casamento não substitui o arrependimento, assim como a ausência de casamento não impede automaticamente o perdão de Deus.
Aliás, é possível que alguém morra ainda carregando consequências de um pecado já confessado e perdoado. David recebeu perdão depois do pecado com Bate-Seba, mas as consequências temporais do pecado permaneceram (2 Samuel 12:13, 14). Portanto, precisamos distinguir entre culpa diante de Deus, consequências temporais e disciplina eclesiástica; são coisas relacionadas, mas não idênticas. Uma pessoa pode ser perdoada diante de Deus e ainda sofrer consequências do seu pecado; pode ser perdoada e continuar disciplinada por algum tempo; pode estar reconciliada com Deus e ainda não ter sido plenamente restaurada à sua função ministerial e pode até morrer antes que a restauração comunitária seja concluída. (Depois leia também: Devemos orar e interceder pelas almas dos mortos no Dia dos Finados?)
Isso nos leva a uma questão dolorosa: se ele morreu durante a disciplina, será que a disciplina ficou “inacabada” e, por isso, Deus o condenou? Não encontramos na Bíblia nenhuma doutrina segundo a qual uma pessoa precisa obrigatoriamente concluir determinado período disciplinar antes de poder morrer em estado de graça. A disciplina é um processo da comunidade; a salvação é uma obra de Deus. Não existe na Escritura um princípio dizendo que “morrer disciplinado = morrer condenado”. Se fosse assim, o destino eterno seria determinado pela velocidade administrativa da igreja, e não pela graça de Deus e pela relação da pessoa com Cristo.
Efésios 2:8, 9 afirma que somos salvos pela graça, mediante a fé, “e isto não vem de vós; é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie”. E Romanos 8:1 declara: “Portanto, agora, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus.” João 10:27-29 apresenta a segurança daqueles que pertencem às ovelhas de Cristo. João 5:24 afirma que aquele que ouve a Palavra de Cristo e crê naquele que O enviou “tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida”. Mas precisamos também evitar o outro extremo: A Bíblia não ensina que alguém pode viver conscientemente numa prática pecaminosa, rejeitar continuamente o arrependimento e, simplesmente porque um dia professou fé em Cristo, estar automaticamente seguro. Hebreus 10:26, 27 apresenta uma advertência séria contra o pecado deliberado e persistente. Gálatas 6:7 declara: “De Deus não se zomba.” Jesus também chamou ao arrependimento. Portanto, não devemos transformar a graça em uma autorização para a impiedade.
A questão bíblica não é simplesmente: “Ele pecou?” Porque todos pecaram. A questão é: “Qual era a relação dele com Deus diante desse pecado?” Havia arrependimento? Havia fé? Havia confissão? Havia luta contra o pecado? Havia desejo de restauração? Havia endurecimento deliberado? Havia rejeição de Cristo? Nós não podemos responder plenamente a essas perguntas olhando apenas para o facto de ele estar disciplinado. E existe uma diferença gigantesca entre cair no pecado e estabelecer o pecado como modo de vida sem arrependimento. A Escritura conhece a realidade do crente que tropeça: “Porque sete vezes cairá o justo, e se levantará” (Provérbios 24:16). João escreve aos cristãos: “Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo” (1 João 2:1). Observe a ordem de João: “para que não pequeis”, portanto o pecado não é minimizado; mas depois: “e, se alguém pecar”, reconhecendo que a vida cristã envolve a possibilidade real de queda e necessidade de restauração.
A diferença entre o pecador que cai e o pecador que endurece está precisamente na resposta ao pecado. David pecou, mas chorou. Pedro caiu, mas chorou amargamente e voltou para Cristo. O filho pródigo afastou-se, mas “caindo em si” voltou para o pai (Lucas 15:17-20). A Bíblia não apresenta a graça como uma recompensa pela perfeição, mas como a misericórdia de Deus para com aqueles que se voltam para Ele. Por isso, se o teu irmão realmente continuava a orar, buscava Deus, reconhecia o seu erro, aceitava a disciplina, procurava assumir as suas responsabilidades e desejava corrigir a situação, esses elementos são espiritualmente significativos, embora não permitam que nós pronunciemos uma sentença definitiva sobre o seu destino eterno. (Depois Clique aqui e adquira o eBook: Volta Para Casa: A Jornada do Filho Pródigo e a Profunda Mensagem de Perdão).
Minha irmã em Cristo, entendo que há ainda uma outra questão que pode estar causando uma dor adicional à família: a igreja não realizou o acto fúnebre. Precisamos separar o acto fúnebre da salvação. Um funeral cristão pode ser uma oportunidade de consolo, testemunho, reflexão sobre a ressurreição e esperança em Cristo. Mas não encontramos na Bíblia uma doutrina segundo a qual a realização de um funeral eclesiástico salva uma pessoa, ou a sua ausência condena uma pessoa. O funeral acontece depois da morte. A condição espiritual da pessoa diante de Deus não é criada pelo funeral, a cerimónia não abre as portas do céu, assim como a sua ausência não abre as portas do inferno. Se uma igreja decide não realizar determinada cerimónia por razões disciplinares, essa decisão pode ser discutida pastoralmente e biblicamente, mas não deve ser transformada numa sentença sobre a eternidade da pessoa. A igreja pode decidir sobre a cerimónia; Deus decide sobre o juízo.
Pensemos ainda na parábola do rico e Lázaro em Lucas 16. O texto apresenta uma separação após a morte, mas não encontramos ali nenhum mecanismo através do qual uma cerimónia posterior pudesse alterar o destino de alguém. Da mesma forma, Hebreus 9:27 diz: “aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo.” O que importa diante de Deus é a realidade espiritual da pessoa, não o ritual realizado depois que ela morreu. Isso também nos protege de uma perigosa forma de superstição religiosa: pensar que o tratamento litúrgico dado ao cadáver determina o destino da alma, a Bíblia não ensina isso. O corpo pode ser enterrado com grande solenidade, ou com simplicidade; pode haver um grande funeral ou nenhum funeral; pode haver dezenas de ministros presentes ou nenhum ministro; nada disso altera retroactivamente aquilo que Deus julgou na vida e no coração da pessoa. (CLIQUE AQUI e apoie este ministério e ajuda esta palavra chegar mais longe).
O apóstolo Paulo argumenta em Romanos 14:8: “Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. De sorte que, ou vivamos ou morramos, somos do Senhor.” E acrescenta: “Pois nenhum de nós vive para si, e nenhum morre para si” (Romanos 14:7). Essa palavra é profundamente consoladora: se ele realmente pertencia ao Senhor, a disciplina da igreja não era maior que a autoridade de Cristo sobre ele. Contudo, precisamos manter uma humildade santa. Não devemos dizer: “Sabemos que ele está no céu”, porque não conhecemos o coração dele como Deus conhece. Também não devemos dizer: “Sabemos que ele está no inferno”, porque a Bíblia não nos deu essa informação e a disciplina eclesiástica não constitui prova de condenação. (Depois leia também a Meditação: A Derrota da Morte).
A posição biblicamente mais responsável é: entregamos o destino eterno dele ao justo Juiz. Abraão perguntou: “Não faria justiça o Juiz de toda a terra?” (Génesis 18:25). Essa pergunta expressa uma verdade fundamental: Deus nunca julgará alguém injustamente. O Deus que conhece cada pensamento, cada lágrima, cada confissão, cada luta e cada circunstância julgará com perfeita justiça. 1 Samuel 2:3b declara que “o SENHOR é o Deus da sabedoria, e por ele são as obras pesadas na balança”. Salmos 139:1-4 apresenta Deus como aqu'Ele que conhece profundamente o ser humano. E 2 Timóteo 2:19 afirma: “O Senhor conhece os que são seus.” Portanto, minha irmã, a família não deve carregar durante anos uma sentença que Deus nunca pronunciou. Se o teu irmão morreu arrependido e confiando em Cristo, a morte não anulou a graça que Deus havia concedido. Se morreu espiritualmente endurecido e sem arrependimento, a situação seria outra, mas a determinação disso não pode ser feita simplesmente pelo facto de estar disciplinado.
Existe ainda uma verdade teológica fundamental: a salvação não depende de a pessoa conseguir reparar tudo antes de morrer. Isso é importante porque, se exigíssemos que um pecador tivesse de corrigir absolutamente todas as consequências do passado antes de poder morrer salvo, ninguém teria segurança. Há pessoas que se convertem no leito de morte, há pessoas que deixam dívidas que não conseguem pagar, há pessoas que feriram outras e não têm tempo para pedir perdão, e há pessoas que iniciam processos de restauração que não conseguem concluir. O arrependimento verdadeiro produz frutos quando existe oportunidade, mas a justificação não é uma corrida contra o relógio para completar todas as obras antes da morte. Cristo é o fundamento da salvação. Paulo disse: “Porque ninguém pode pôr outro fundamento, além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo” (1 Coríntios 3:11).
Isso também nos ajuda a compreender o caso do ladrão na cruz. Ele não teve tempo para reparar tudo. Mas encontrou Cristo. A sua salvação não veio porque conseguiu reconstruir a sua vida; veio pela graça de Cristo recebida mediante fé. Entretanto, se o teu irmão tinha responsabilidades para com a jovem e o filho que estava por nascer, isso não deve ser ignorado, a graça não elimina responsabilidade. Se estivesse vivo, deveria assumir a paternidade, proteger a criança, tratar a jovem com dignidade, procurar regularizar a situação, buscar restauração e demonstrar frutos dignos de arrependimento. O facto de ter morrido não torna essas responsabilidades irrelevantes, mas a impossibilidade de concluir tudo isso por causa da morte também não permite que nós afirmemos que Deus o condenou. A salvação é pela graça; o arrependimento é real; as obras são frutos; a disciplina é correctiva; o funeral é uma prática comunitária; e o juízo final pertence a Deus. Esta distinção é essencial. (Depois também leia o Sermão: O desespero dos que rejeitam a Deus).
E quero aproveitar deixar aqui uma advertência para a própria Igreja: Precisamos ter muito cuidado para que a disciplina não se transforme em uma espécie de “excomunhão da graça”. A Igreja deve defender a santidade sem se transformar em dona da salvação, deve corrigir sem destruir, confrontar sem humilhar, e disciplinar sem esquecer que aquele que está sendo disciplinado continua sendo um ser humano por quem Cristo morreu. Gálatas 6:1 ensina: “Irmãos, se algum homem chegar a ser surpreendido nalguma ofensa, vós, que sois espirituais, encaminhai o tal com espírito de mansidão; olhando por ti mesmo, para que não sejas também tentado.” A pergunta não deve ser apenas: “Como puniremos o pecador?” Deve ser também: “Como o restauraremos?” E talvez aqui esteja uma das maiores lições desta história, minha imrã em Cristo; o pecado do teu irmão não deve ser romantizado, a disciplina não deve ser condenada simplesmente porque foi dolorosa, mas também não devemos permitir que uma medida disciplinar seja transformada em uma sentença eterna.
A igreja possui chaves de disciplina e comunhão dentro da sua esfera de responsabilidade, mas Cristo possui as chaves da morte e do inferno (Apocalipse 1:18). A igreja administra aquilo que Deus lhe confiou; Cristo continua sendo o Senhor da vida e da eternidade. Portanto, minhã irmã, se alguém perguntar: “O teu irmão foi para o inferno?”, a resposta biblicamente honesta é: não podemos afirmar isso. E se alguém disser: “Ele está definitivamente no céu porque fazia isto ou aquilo”, também precisamos ter cautela. O destino eterno de uma pessoa não pode ser determinado pela nossa observação parcial. (CLIQUE AQUI e apoie este ministério e ajuda esta palavra chegar mais longe).
Podemos, contudo, afirmar algo muito importante: morrer sob disciplina eclesiástica não é, por si só, evidência de condenação eterna; não realizar um funeral eclesiástico não condena ninguém; ter cometido pecado sexual antes do casamento não torna o perdão de Deus impossível; e a salvação continua sendo uma questão entre o pecador e Deus, mediante Jesus Cristo. A última palavra não pertence ao pastor, pão pertence ao conselho da igreja, não pertence à família, não pertence aos irmãos, a última palavra pertence ao Juiz de toda a terra. E talvez a maior consolação para a família esteja precisamente aqui: vocês não precisam carregar o peso de decidir aquilo que Deus reservou para o Seu próprio tribunal. Podem lamentar o pecado, podem reconhecer as consequências, podem sentir a dor da morte, podem até questionar determinadas decisões pastorais, mas podem também descansar na justiça de Deus.
Paulo escreveu em Romanos 8:38, 39 que nem a morte, nem a vida, nem qualquer outra criatura pode separar-nos do amor de Deus que está em Cristo Jesus. A nossa esperança não está na perfeição do ser humano, nem na quantidade de obras realizadas, nem na duração da disciplina, nem na cerimónia realizada depois da morte. A nossa esperança está em Cristo. Aleluia! E é justamente por isso que, diante de um caso como este, a resposta cristã não deve ser uma sentença precipitada, mas uma postura de humildade: “Senhor, Tu conheces o coração dele melhor do que nós, nós vimos apenas uma parte da sua história; Tu conheces toda a história, nós vimos a disciplina; Tu viste o coração, nós vimos a queda; Tu viste também aquilo que aconteceu entre ele e Ti, nós não ocuparemos o Teu tribunal.” Essa é uma posição não de relativismo, mas de temor bíblico diante do juízo de Deus.
VAMOS ORAR?
Senhor nosso Deus e nosso Pai, entregamos nas Tuas mãos todas as dores, perguntas e lembranças que esta morte deixou. Tu és o Deus que conhece o coração e sondas as profundezas do ser humano; ninguém pode esconder de Ti aquilo que realmente aconteceu no interior de uma pessoa. Pedimos que consoles esta família, retire do coração todo sentimento de culpa que não lhe pertence e dê sabedoria para compreender que a disciplina da igreja não é a sentença final sobre uma alma. Ensina-nos a levar o pecado a sério sem negar a grandeza da Tua graça, a praticar a disciplina sem perder a misericórdia e a defender a santidade sem usurpar o Teu lugar de Juiz. Se houve arrependimento, fé e busca sincera por Ti no coração daquele que partiu, somente Tu conheces plenamente essa realidade. E, quanto à família que ficou, dá-lhe paz para confiar na Tua justiça e esperança na ressurreição em Cristo. Em nome de Jesus Cristo. Amém.
ANTES A MORTE EM BATALHA DE CRISTO, DO QUE NA LAMA COMO COVARDE MORRER (1 Pedro 3:17). ATÉ AQUI, PALAVRA DO SENHOR!
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2 comentários:
Na minha humilde opinião sobre esta questão
Certamente que ele foi para o lugar onde deveria ir
Isto é para o céu ( paraíso)
Pois ele defendeu e continuou defendendo a Cristo
Pois que muitos confundem defender igreja e defender a Cristo, sem saber que Cristo é a cabeça da mesma igreja
Por isso existe muita confusão entre igrejas Sobre igrejas verdadeiras e falsas
Então ele foi para o céu 🙏
Saudações, caríssimo irmão Ambrósio. Deus abençoe por esta visão. Apenas para subscrever, tal como escrevo no artigo: "A disciplina da igreja visava a correcção, não a condenação eterna, e o mais importante é que Deus conhece aqueles que são Seus e é capaz de perdoar e restaurar todos os que O buscam com sinceridade".. Deus abençoe!
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